Os (meus) 3 dias em Amsterdam

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Há exatamente 30 dias fui passar os tais “3 dias em Amsterdã”. Claro que podia ter ficado 5 ou 10 dias, tem gente até que mora lá e passa os 365 dias do ano na capital holandesa, pasme. Mas por uma espécie senso comum mochileiro, convencionou-se que 3 dias são suficientes, é só dar um google aí que você vai achar incontáveis sugestões de roteiros do que fazer em 72h na cidade.

DIA 1

Cheguei em pleno 25 de dezembro à noite, de trem, via Paris. Como a ideia do texto é ajudar quem deseja fazer o mesmo em algum momento, vou caprichar nos detalhes e nos links. Peguei o Thalys na Gare du Nord às 14h25 e cheguei na Centraal Station por volta de 17h45, depois de algumas paradas no trajeto: Bruxelas, Roterdã e aeroporto. Desci uma escada rolante da plataforma de desembarque e peguei um táxi pro hotel hiper bem localizado, na impronunciável Nieuwezijds, bem perto do Koninklijk Paleis, o palácio real da cidade. E aí vai a primeira dica: em viagens de tiro curto, ficar hospedado perto da zona do agrião é fundamental pra otimizar o tempo.

Olha o palácio aí

Fiz o check-in, dei um relax e parti pra uma volta de reconhecimento nas redondezas. Percebi que estava a 5 minutos de caminha da famosa Praça Dam, localizada no centro histórico, onde também fica a Nieuwe Kerk, igreja construída na idade média que também recebe eventos e exposições. Comprei um queijo maravilhoso num das diversas lojas especializadas na avenida Damrak, comi uma pizza num italiano aconchegante nas redondezas e de sobremesa, uns nutellinis, espécie de mini-sonho de Nutella. O apelido da iguaria faz jus: jóia de Amsterdã!

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DIA 2

Saí do hotel por volta de 11h, depois de um café da manhã bem honesto com outra jóia descoberta: Snelle Jelle, um pão de mel industrializado; o que tem de calórico, tem de gostoso. Entre os museus disponíveis na cidade, optei pelo Rijksmuseum. Comprei o ingresso em uma loja de bugingangas na Praça Dam (onde fica o palácio, lembra?) e fui a pé até a estação central (a mesma onde desci do trem na véspera) pra pegar o metrô rumo ao estádio do Ajax, mas dei com a cara na porta: descobri que na Holanda o feriado de Natal dura dois dias! Fiz o caminho inverso e embarquei para o tour de 1h pelos famosos canais. Tinha o tíquete na mão, mas também rola comprar na hora, o barco sai da frente da estação. Foi legal e tal, mas 30 minutos estavam de bom tamanho. Tem sempre um chato que abre a janelinha pra tirar foto enquanto o vento vai bem na sua cara. Mas o tipo de passeio que tem que fazer, é como ir a Veneza e não andar de gôndola.

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Desci da embarcação batendo queixo, tomei um café pra espantar o frio e peguei um táxi até o Rijks. Motorista turco, simpático e malandro: me cobrou 17 euros pela viagem que deve custar a metade. Tudo bem, é do jogo turístico levar uma volta aqui e ali. Também, pudera: o cara torcia pro Galatasaray e eu disse que era amigo do Alex. Na praça em frente ao museu, a Museumplein, ficam as tais letras onde todo mundo tira foto: I am Amsterdam. Ali também estão os museus Van Gogh e Stedelijk, o de arte moderna. Selfie garantida nas letras, vamos aos Rembrandts, ao auto-retrato do Van Goghs e aos Frans Hals. Na saída vou caminhando até o hotel Apollo na esquina da PC Hoofstraat, a rua chique da cidade, mas avisto o Hard Rock e mudo o itinerário: descubro também a famosa Leidseplein, onde rola o agito. Tem cinema, teatro, balada e afins. De volta ao HRC, um registro: a memorabília da filial holandesa é bem mixuruca, mas a comida e a lojinha não fogem ao padrão mundial. Já sobre as garçonetes holandesas, bem, nem preciso comentar. Na saída me informei sobre o bonde, o tal tram, e peguei o número 5 de volta para a central. Na caminhada para o hotel, vou parando em lojinhas no trajeto e dou um rasante no shopping da rua, o Magna Plaza. Pare um pouquinho, descanse um pouquinho.

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Pra terminar a noite, a aquela conferida esperta no Red Light District. Em bom português: o distrito da luz vermelha. Com a prostituição legalizada, as moças ficam literalmente nas vitrines provocando a rapaziada a desembolsar cerca de 150 euros para um programinha a dois. No caminho para o inferninho a céu aberto, fui serpenteando as ruelas cheias de coffee shops e maresia, uma ode à canabis. Nem precisa apertar, já vendem a vela pronta. Na volta, pit stop na Prinsengracht para reconhecer o terreno do passeio do dia seguinte: casa da Anne Frank. Depois, misto quente no árabe que sempre fecha mais tarde que os outros – por isso eles ganham mais dinheiro seja onde for – e cama.

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DIA 3

Se você trabalha com futebol, ou é fã de esportes, conhecer o QG do time local é dever de casa. E a Amsterdam ArenA, casa do Ajax, foi um dos primeiros estádios com esse conceito multifuncional, inaugurado em 1996. O tour leva 1h, custa 16,50 euros e é falado em duas línguas, holandês e inglês. De resto, o de sempre: campo, vestiários áreas de imprensa e, claro, megastore no final. O acesso do centro é fácil, basta pegar o metrô M54 na Centraal Station sentido Gein e descer na Bijlmer ArenA. Dica: dá pra garantir o ingresso antes pela internet, mas também rola comprar na hora, são vários grupos por dia. Só fique esperto com o metrô, não achei o sistema achei muito confiável. Pra começar, comprar o bilhete é uma saga: nem sempre tem guichê na estação e as telas touch dos terminais de auto-atendimento são horrorosas, demorei quase 20 minutos só pra fazer a engenhoca cuspir um tíquete. Fora isso, parece que tem sempre um outro trem atrasado na frente, o que faz o seu atrasar também. Juntando tudo, bota aí uns 40 minutos de folga em relação ao horário que você pretende chegar nos lugares.

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Ao lado da arena fica uma das muitas unidades do FEBO, famosa rede de fast-food em Amsterdã pelos croquetes e sanduíches de… croquete. Sim, isso mesmo: peça o seu, corte em três ou quatro pedaços, coloque num pão bem macio junto com um pouco da mostarda dijon que vem no prato e mande pra dentro. Você não vai se arrepender. São várias unidades espalhadas pela cidade, no esquema que consagrou a marca: os quitutes ficam dentro de uma janelinha de vidro, basta colocar as moedas, abrir o compartimento e sair comendo.

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Mas o ponto alto da viagem, pelo menos pra mim, foi visitar o anexo secreto que serviu de esconderijo para Anne Frank, a família e agregados durante a segunda grande guerra. A então sede da empresa de Otto Frank, pai de Anne, foi transformada em museu em 1960. Hoje, além da casa aberta à visitação, existe também uma fundação sem fins lucrativos que preserva os ideais da menina e espalha a mensagem de tolerância e igualdade pelo mundo.

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O ingresso deve ser comprado pelo site oficial, com dia e hora marcados, a procura é enorme. A visita começa pela casa ao lado, sede da organização, e dura entre 40 minutos e 1h; tudo depende do tempo que você levar pra percorrer os cômodos do anexo onde os Frank se escondiam dos nazistas. O tour é claustrofóbico, emocionante e perturbador. Porém necessário.

Como não sou cervejeiro, pulei a Heineken Experience, visita à primeira fábrica de breja da garrafa verde. Entre os museus, optei por ver os Van Gogh do Rijks ao museu do próprio, que fica perto. Também não fui ao Vondelpark, o famoso parque da cidade onde não entra cachorro, mas dizem que pode transar. Com mais 2 dias eu resolvo isso aí. Tot ziens!

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Sobre RR TV

Apresentador de TV, idealizador e guitarrista dos Soundtrackers, e autor dos livros: As aventuras da Blitz, Almanaque da Música Pop no cinema, London London - O único guia para conhecer Londres usando o metrô e Paris Paris, que segue o mesmo conceito.
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